sábado, 19 de setembro de 2020

LIVROS

Antes de escrever livros, aprendi a escutar histórias.

A minha história com os livros não começou quando publiquei o primeiro.

Começou muito antes.

Começou como leitor, no encontro com histórias que me fizeram imaginar outros mundos, compreender pessoas e fazer perguntas sobre mim próprio.

Com o tempo, a leitura saiu das páginas e entrou também no meu trabalho com pessoas.

Nas escolas, bibliotecas, instituições e comunidades, descobri que um livro podia ser muito mais do que uma história para contar.

Podia tornar-se uma pergunta.

Uma brincadeira.

Uma conversa.

Uma memória.

Uma experiência.

Ou o início de uma transformação.

Foi desse encontro entre leitura, pessoas e experiências que nasceram muitas das Oficinas do Livro.

E foi também desse caminho que nasceu a escrita.

Alguns dos meus livros começaram numa ideia. Outros nasceram de experiências, encontros e histórias que fui recolhendo ao longo do percurso.

Por isso, quando olho hoje para os livros que escrevi, não vejo apenas uma coleção de títulos.

Vejo partes de uma história.

Uma história construída entre livros, pessoas, emoções, escolas, oficinas e comunidades.

**Algumas oficinas nasceram dos livros.

E alguns livros nasceram das oficinas.**


OS MEUS LIVROS

01 — O GUETO DAS NAÇÕES


Quando as diferenças nos convidam a olhar para o outro — e também para nós próprios.

O Gueto das Nações ocupa um lugar muito particular na minha história porque nasceu das experiências realizadas nas oficinas com alunos.

A convivência entre pessoas diferentes, a diversidade, a inclusão, o respeito, a empatia, a cooperação e a cidadania transformaram-se em matéria de reflexão e também em matéria literária.

Neste livro aconteceu algo que continua a orientar o meu trabalho:

A oficina transformou-se em história. E a história regressou à oficina.

O livro tornou-se, assim, uma ponte entre literatura e educação, permitindo continuar a conversar sobre diferenças, pertença, respeito e sobre o mundo que construímos quando aprendemos a viver uns com os outros.

Para pensar:

O que acontece quando aprendemos a olhar para as diferenças como possibilidade de encontro?


02 — SANTA FÉ

Até onde você iria por amor?


Há histórias que nos levam para fora.

E há histórias que, através das personagens, acabam por nos conduzir para dentro.

Santa Fé — Até onde você iria por amor? entra no território do romance, do mistério e do suspense psicológico para atravessar relações humanas marcadas pelo amor, pela paixão, pelo ciúme, pela inveja, pela rivalidade, pela vingança e pelo sofrimento.

Mais do que perguntar até onde uma personagem seria capaz de ir, o próprio título coloca a pergunta diretamente nas mãos do leitor.

Porque o amor também pode confrontar-nos com escolhas, limites e consequências.

Para pensar:

Existe um limite entre aquilo que fazemos por amor e aquilo que deixamos de ser em nome dele?


03 — O SONHO DE DÂMIA

Uma pequena gota. Um planeta. Uma grande responsabilidade.


Dâmia é uma gota de água diante de um problema muito maior do que ela: um planeta onde a água e a relação do ser humano com a natureza nos obrigam a pensar no futuro.

Através da imaginação e da aventura, O Sonho de Dâmia aproxima os leitores mais jovens de questões relacionadas com a água, o ambiente e a responsabilidade de cada um perante o planeta.

Mas Dâmia representa também uma ideia que atravessa muitas das minhas oficinas:

Não precisamos ser grandes para participar numa grande mudança.

A história pode sair das páginas e transformar-se em conversa, descoberta, experiência e educação para a cidadania.

Para pensar:

Se cada gota conta, qual é a sua parte na mudança que gostaria de ver no mundo?


COLEÇÃO ÂNCORA

Uma viagem para dentro que pretende transformar a maneira como olhamos para fora.

Em determinado momento da minha escrita, senti necessidade de aprofundar uma pergunta que sempre esteve presente no meu trabalho:

Quem somos quando começamos verdadeiramente a observar-nos?

Dessa procura nasceu a Coleção ÂNCORA.

Os quatro livros formam um percurso:

CONSCIÊNCIA → INCONSCIENTE → AUTORIA → GERMINAÇÃO

Não são apenas quatro livros.

São quatro movimentos de uma mesma viagem.


04 — ÂNCORA

A ARTE DE ESTAR CONSCIENTE


Antes de mudar a história, talvez seja necessário perceber como estamos a vivê-la.

Com Âncora — A Arte de Estar Consciente, o olhar dirige-se para dentro.

Consciência, presença, autoconhecimento, emoções e escolhas tornam-se partes de uma investigação sobre a maneira como vivemos.

A âncora surge como metáfora.

Não para impedir o barco de navegar.

Mas para oferecer estabilidade suficiente para observar onde estamos antes de decidir para onde queremos seguir.

Este é o primeiro movimento da coleção:

CONSCIÊNCIA

Para pensar:

Quantas vezes estamos verdadeiramente presentes na vida que estamos a viver?


05 — ÂNCORA

CARTAS PARA O INCONSCIENTE

Aquilo que não vemos também pode participar das nossas escolhas.

Depois de aprender a observar, surge outra pergunta:

O que existe por baixo daquilo que conseguimos perceber conscientemente?

Em Âncora — Cartas para o Inconsciente, desenvolvido com Diamantina Caeiro, o leitor é convidado a aprofundar o contacto consigo próprio através de uma jornada de reflexão.

Memórias, símbolos, padrões e conteúdos interiores entram neste percurso.

Porque algumas respostas não aparecem quando procuramos mais depressa.

Precisam de silêncio.

Tempo.

Observação.

E disponibilidade para escutar aquilo que existe para além da superfície.

Segundo movimento da coleção:

INCONSCIENTE

Para pensar:

Que parte da sua história continua a influenciar as suas escolhas sem que perceba?


06 — ÂNCORA

QUEM ESTÁ A ESCREVER A TUA HISTÓRIA?

Viver é uma coisa. Tornar-se autor da própria vida é outra.

Depois da consciência e do encontro com o inconsciente, chegamos a uma pergunta inevitável:

Quem está a escrever a tua história?

As nossas escolhas são realmente nossas?

Ou algumas continuam a ser escritas pelos medos, expectativas, memórias, condicionamentos e vozes que fomos acumulando?

Este terceiro movimento da coleção ÂNCORA coloca o leitor diante da possibilidade de observar a própria narrativa.

Não para apagar aquilo que aconteceu.

Mas para reconhecer que compreender a história também pode permitir-nos participar mais conscientemente daquilo que escreveremos a seguir.

Terceiro movimento:

AUTORIA

Para pensar:

Quanto da vida que está a viver nasceu verdadeiramente das suas escolhas?


07 — BIBLIOTERAPIA COM EDMAR

O ALFABETO DAS EMOÇÕES

Talvez também precisemos aprender a ler aquilo que sentimos.

Depois de tantos anos utilizando os livros como instrumentos de encontro, reflexão e desenvolvimento humano, a Biblioterapia tornou-se uma continuação natural deste percurso.

Biblioterapia com Edmar — O Alfabeto das Emoções aproxima duas linguagens que atravessam profundamente a experiência humana:

os livros e as emoções.

Ao longo da obra, 27 emoções tornam-se possibilidades de observação, reflexão e autoconhecimento.

Admiração, adoração, apreciação, ansiedade, surpresa, constrangimento, calma, confusão, desejo, dor empática, excitação, horror, interesse, nostalgia, romance, tristeza, tédio, nojo, medo, raiva, culpa, orgulho, vergonha, ciúmes, inveja, alegria e amor.

Um alfabeto que não pretende ensinar apenas a dar nomes ao que sentimos, mas provocar uma aproximação entre palavra, emoção e experiência.

Porque talvez uma das leituras mais importantes seja precisamente aquela que fazemos de nós próprios.

Para pensar:

Se as suas emoções pudessem falar, o que estariam a tentar dizer-lhe?


09 — ÂNCORA

SEMEIA A TUA HISTÓRIA

Depois de compreender a história, chega o momento de decidir o que queremos fazer nascer.

Este livro encerra um ciclo e, ao mesmo tempo, abre outro.

O percurso da coleção ÂNCORA começou pela consciência.

Desceu ao inconsciente.

Questionou quem escreve a nossa história.

E agora chega à germinação.

Âncora — Semeia a Tua História transforma o percurso anterior numa experiência prática e simbólica.

A semente torna-se metáfora daquilo que escolhemos cultivar.

Preparar a terra.

Criar raízes.

Germinar.

Cuidar.

Esperar.

Permitir que alguma coisa cresça.

Porque compreender a própria história é importante.

Mas talvez exista uma pergunta ainda maior:

O que vou fazer com aquilo que agora compreendo?

Quarto movimento da coleção:

GERMINAÇÃO

Para pensar:

Que história gostaria de começar a semear a partir de agora?


UMA HISTÓRIA CONTADA EM NOVE LIVROS

Quando observo estes livros em conjunto, percebo que eles percorrem territórios muito diferentes.

Diversidade.
Amor.
Perda.
Natureza.
Consciência.
Inconsciente.
Escolhas.
Emoções.
Transformação.

Mas talvez exista algo que os una.

Todos nasceram, de maneiras diferentes, de uma curiosidade sobre o ser humano e as histórias que construímos para viver, compreender, relacionar-nos e transformar-nos.

E é aqui que o escritor e o mediador de leitura voltam a encontrar-se.

Porque escrever um livro não encerra uma história.

Coloca-a novamente em circulação.

O livro chega às mãos de outra pessoa.

Essa pessoa lê.

Interpreta.

Sente.

Questiona.

E acrescenta às páginas algo que nenhum autor consegue escrever antecipadamente:

A sua própria experiência.


DOS LIVROS ÀS PESSOAS.

DAS PESSOAS AOS LIVROS.

Hoje compreendo a leitura e a escrita como partes de um mesmo movimento.

**Leio para descobrir.

Escuto para compreender.
Experimento para aprender.
Escrevo para partilhar.**

E depois o livro volta às mãos de outra pessoa.

Talvez seja uma criança numa escola.

Talvez seja um jovem cheio de perguntas.

Talvez seja um adulto que se reconheça numa frase.

Talvez seja uma pessoa idosa que encontre numa história uma memória.

Nesse momento, aquilo que começou comigo deixa de me pertencer.

O livro passa a fazer parte da história de quem o lê.

E talvez seja precisamente aí que uma nova história começa.


OFICINA DO LIVRO COM EDMAR SILVA

LIVROS → PESSOAS → EXPERIÊNCIAS → HISTÓRIAS → NOVOS LIVROS

Porque escrever também é uma forma de continuar uma conversa que começou muito antes de nós.

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